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A Engenharia de Materiais e suas oportunidades na Europa

  • Foto do escritor: Editor Fosterwelt
    Editor Fosterwelt
  • 5 de set.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 11 de set.


Não é apenas um material, é uma história de inovação e desenvolvimento.

Quando se pergunta qual foi o primeiro desenvolvimento tecnológico que mudou o

comportamento humano, um dos marcos mais antigos a vir à mente é o fim da

Idade da Pedra, quando ferramentas de pedra lascada foram substituídas pela forja

de cobre e mais adiante pelo bronze. Logo o amplo uso do bronze foi substituído

pelas ligas de ferro, o que marcou a ascensão da Idade do Ferro. Até os dias atuais,

um dos maiores marcos tecnológicos que moldou a sociedade e ainda influencia

nosso comportamento, é a Revolução Industrial. Um período marcado pela queima

do carvão, descoberta da borracha e a descoberta de novas formas de manuseio

do aço e demais ligas metálicas, que permitiram a o surgimento da fabricação em

massa.

Com cada novo horizonte conquistado, vem uma solução e um novo desafio, como

na descoberta do petróleo e seus derivados, e a revolução comportamental

causada pelo uso de plásticos. Esse material, que um dia foi revolucionário, e agora

afeta cada metro quadrado do nosso planeta, forçando a indústria global repensar

seu uso e como coletá-lo e reciclá-lo. Afinal, quem nunca ouviu falar dos malefícios

dos microplásticos no meio-ambiente?

Felizmente, não só de plástico se constrói o futuro. A Indústria 4.0 acontece dentro

de smartphones, microchips e superprocessadores, em que confecção depende

do controle preciso de semicondutores, materiais dielétricos, dopagem de silício e

baterias de lítio, todas obras-primas da Engenharia de Materiais.


Um Foco em Engenharia de Materiais


Um bom exemplo de como a Engenharia de materiais está sempre na vanguarda do

desenvolvimento tecnológico, é seu papel na fabricação e manuseio de terras-

raras, presentes em equipamentos de radar, geradores de turbinas eólicas, motores

de veículos elétricos e muitos outros equipamentos fundamentais para tecnologias

relacionadas a sustentabilidade e transição energética.

Sem dúvida as descobertas na área de materiais estão alinhadas ao progresso da

civilização humana, ainda assim, a Engenharia de Materiais em si é vista com uma

engenharia recente. Onde aqueles que escolheram seguir por esse caminho, se

deparam com perguntas constantes como: “O que faz um engenheiro de

materiais?” ou “Mas, para que serve engenharia de materiais?”


Para aqueles em dúvida, a resposta é simples: O engenheiro de materiais é um

profissional versátil, com a capacidade única de atuar na síntese, processamento

e desenvolvimento de materiais, ao mesmo tempo que se integra com outras

engenharias e áreas do conhecimento. É o pesquisador que desenvolve

biomateriais para a bioimpressão 3D de tecidos e órgãos, abrindo caminho para

uma medicina personalizada. É o especialista que, com o uso de novas

composições de ligas e formação de compósitos, transforma a indústria

aeroespacial e automobilística, introduzindo a fibra de carbono e outros

compósitos que tornam as aeronaves e carros mais leves, eficientes e sustentáveis

sem perder resistência mecânica. Ou aquele que otimiza células fotovoltaicas com

perovskita, aumentando a eficiência dos painéis solares.

Minha jornada como Engenheira de Materiais, com experiência em soldagem no

Brasil e em projetos na Alemanha, me permitiu observar de perto o papel crucial da

profissão na indústria e pesquisa. O Engenheiro de Materiais é um profissional que

não apenas resolve problemas, ele molda o futuro, garantindo que a inovação

possa ser fabricada e aplicada na vida real.


O Mercado Europeu: Um Ecossistema de Oportunidades e Inovação


A Europa, em particular, é o lar de um ecossistema de P&D de ponta, marcado pela

internacionalização, com equipes e projetos multiculturais. Neste meio, países

que se destacam são: Alemanha, forte na indústria automobilística e de

manufatura; Suíça, pela sua excelência acadêmica e forte investimento em

biomateriais; Países Baixos, reconhecidos pela pesquisa em nanotecnologia e

energias renováveis; Suécia, que se destaca no setor de pesquisa em materiais e

sustentabilidade, e a Bélgica, que é um centro de excelência em pesquisa de

materiais avançados. Esses países contam com universidades de destaque como:

RWTH Aachen, ETH Zurich, TU Delft, KTH Royal Institute of Technology, e a KU

Leuven, referencias em pesquisa quando o assunto é Engenharia de Materiais.

As tendências no continente refletem uma agenda clara e orientada para o futuro,

focando em sustentabilidade e a economia circular, com o objetivo de reduzir o uso

de recursos e o desperdício em setores de alto impacto. A União Europeia (EU),

através de programas como o Horizon Europe, já canalizou bilhões de euros para

parcerias e projetos colaborativos, apoiando a pesquisa em materiais avançados,

matérias-primas e o desenvolvimento da economia circular. Essa colaboração

entre governo, academia e indústria impulsiona a inovação aberta, um modelo que

acelera a descoberta e a aplicação de novas tecnologias.

Atualmente, em resposta ao caos do cenário político atual, o grupo anunciou novos

investimentos que buscam soberania e independência tecnológica, com foco na

extração e manufatura de terras raras e no desenvolvimento de tecnologias que

permitam aumentar a geração de energia sustentável se afastando da dependência

do gás natural. Em meio a esta nova onda de investimentos, a UE propôs uma nova

parceria público-privada, a “Materiais Inovadores para a UE”, com o objetivo de

duplicar o investimento, previsto de 250 milhões de euros, para o período de 2025-

2027, o que acelerará ainda mais o desenvolvimento e a implantação de novos

materiais.

Com tantas oportunidades florescendo no continente, a análise dos salários na

Europa para engenheiros de materiais revela uma realidade promissora, embora

com variações significativas dependendo do país, da experiência e do setor. A falta

de mão-de-obra qualificada em muitos países europeus resulta em uma alta

procura por profissionais, o que se traduz em salários competitivos. Porém, todo e

qualquer profissional em busca de melhores oportunidades sabe que a decisão de

escolher um destino profissional não se resume a um único fator, mas a uma

convergência de oportunidades. Ao analisar o panorama da Engenharia de

Materiais na Europa, torna-se evidente que o continente oferece uma proposta de

valor singular. Não é apenas um local de trabalho; é um ambiente onde a carreira e

a vida pessoal podem prosperar em conjunto.

Além dos salários atrativos, a Europa oferece algo que vai muito além dos números

em uma conta bancária. O continente oferece um salário emocional: um equilíbrio

entre trabalho e vida pessoal, valorizando o bem-estar e o tempo livre. Detalhes

como sensação de segurança e poder contar com a eficiência do transporte

público contribuem para uma melhor qualidade de vida que é, por si só, um grande

benefício. Para o profissional que busca mais do que um emprego, a Europa se

apresenta como um convite à mobilidade global. Com fácil locomoção entre

países, o bloco continental permite a exploração de culturas ricas, diversidade

locais e uma vasta história. Escolher se mudar para o continente europeu é optar

não só por construir uma carreira, mas também por uma vida em um ambiente que

equilibra a inovação profissional com o bem-estar pessoal.

Se você se interessa por esta área ou busca oportunidades na Europa, sinta-se à

vontade para entrar em contato. Venha trocar ideias e compartilhar mais sobre este

universo profissional fascinante cheio de oportunidades.


Isabel B. F. Mattos

Email para contato: isabelbfmattos@outlook.com

 
 
 

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